A ilha do mel está localizada na parte central do litoral do Estado do Paraná, na entrada da Baía de Paranaguá. Cercada pela Serra do Mar e pela Mata Atlântica, esta Baía possui várias ilhas (Palmas, Galheta, Peças, Superagui, Cobras, Cotinga, Rasa da Cotinga e Ilha do Mel). Situa-se a 4 Km do Balneário de Pontal do Sul e a 24 Km da cidade de Paranaguá. Em função de sua proximidade com o Porto de Paranaguá, a Ilha é privilegiada com a malha rodoviária (BR 277) e ferroviária (Ferrovia Curitiba-Paranaguá) que a conecta, via travessia marítima, com Curitiba e todo o estado do Paraná.
O acesso à Ilha do Mel se faz de barco em 30 minutos de Pontal do Sul ou 1h e 30' da cidade de Paranaguá. O transporte entre as localidades da Ilha é feito a pé, de bicicleta, ou de barco comercial, de hora em hora. A duração da viagem de barco, indo de Encantadas à Nova Brasília, principais vilas da Ilha, é de aproximadamente 15 minutos. Diariamente, na parte da manhã, sai dessas duas localidades um único barco para Paranaguá, que volta na parte da tarde.

Conhecida como “Ilha do Almirante Mehl”, devido a um cartógrafo chamado Henry Mehl e sua família que lá freqüentava, a Ilha recebia muitos visitantes que viajavam três horas de barco de Paranaguá para aproveitar as belezas do balneário, que contava com alguma estrutura como correio, um pequeno comércio e um clube onde se realizavam bailes nas temporadas de junho e julho. São várias as versões para o nome “Ilha do Mel”. Além de “Ilha do Almirante Mehl”, também foi conhecida como “Ilha da Baleia” em função do morro de mesmo nome ou, segundo outros estudiosos, devido ao seu formato. Uma outra explicação para a origem do nome pode estar no fato de que, durante bastante tempo, a Ilha era muito freqüentada, principalmente por alemães, que a chamavam de “Ilha da Farinha”, pois lá se produzia farinha de mandioca (farinha em alemão é mehl). Outra possível origem do nome é que produção de mel silvestre na Ilha era abundante chegando a ser produto de exportação. Outra hipótese para o nome, menos aceita, é a alta presença de ferro na água doce existente na Ilha, dando-lhe umas colorações amarelas, semelhantes à cor de favos de mel.

A Baía de Paranaguá teria sido descoberta por náufragos espanhóis e portugueses, que se fixaram em Cananéia (Ilha de Superagui). Em 1531, quando Martin Afonso explorou com mais detalhes a Baía, encontrou estes náufragos com apurado conhecimento da região. Com o desenvolvimento do Porto de Paranaguá, um dos principais portos da Capitania de São Paulo, o rei de Portugal D. José I ordenou, em 1767, a construção da Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres da Barra de Paranaguá ou Fortaleza da Barra, na Ilha do Mel. O objetivo era proteger a Baía de Paranaguá das naus estrangeiras. A Ilha do Mel adquiriu importância como local estratégico de defesa e se iniciou a ocupação pelos portugueses. Antes da ocupação pelos portuguesesa, no século XVII, a Ilha era habitada por índios Carijós e, devido à miscigenação entre carijós e brancos, a população possui, na sua maioria, um tipo étnico mameluco. No início do século XIX, a Ilha era considerada um balneário (1° pólo turístico do Paraná). Existiam casas de madeira de famílias de posse de Curitiba, um hotel, um trapiche no mirante e uma jardineira que, quando o mar permitia, transportava as bagagens dos visitantes que lá iam veranear.

Com a Segunda Guerra Mundial, a Ilha foi considerada “Zona de Guerra”, e o balneário teve fim. Por sua localidade estratégica, as Forças Armadas Brasileiras requisitaram as casas existentes, afastando visitantes e “proprietários”. Este fato esvaziou a Ilha e deu início ao seu declínio e abandono. Quase no final do século XX, com a implantação do transporte terrestre e ferroviário para o litoral do estado, a chegada da energia elétrica (1988) e o início do transporte comercial para a Ilha, o movimento de turistas volta e se inicia uma outra fase do desenvolvimento na Ilha. A partir de então, ela passa a ser freqüentada por outro tipo de visitante, pessoas à procura de tranqüilidade, beleza e contato com a natureza. Nos anos 70, a Ilha era reduto de jovens, principalmente “hippies” com suas famílias, que acampavam nas praias ou nas casas de moradores.

Muitos dos jovens constituíram família e se estabeleceram como comerciantes e, segundo moradores, é nesta época que o problema de ocupação e uso da Ilha, além de outros relacionados ao modo de vida dos visitantes, começa a transformar o aspecto cultural da Ilha do Mel. A população local, que antes vivia da pesca artesanal e da agricultura de subsistência, passa a “vender” ou apenas trocar as terras onde moram por bens “modernos” de uso no continente que, até então, estavam fora das suas possibilidades ou necessidades.

Segundo informação da Associação dos moradores da Ilha, a população atual é de, aproximadamente, 1500 pessoas residentes e uma população flutuante, que varia conforme os diferentes períodos do ano (finais de semana, feriados e temporada de verão), quando oscila entre 2000 e 5000 pessoas/dia.

CLIQUE NA FOTO PANORÂMICA PARA AMPLIAR / CLICK ON THE PICTURE TO ENLARGE